Deficiência de Magnésio em Solos de Cerrado — Diagnóstico e Correção

Artigo técnico | Silicato de magnésio natural como solução para solos de cerrado

A deficiência de magnésio é um dos problemas nutricionais mais comuns e subdiagnosticados em solos agrícolas brasileiros, especialmente no cerrado. Décadas de calagem com calcário calcítico, combinadas com a exportação contínua de Mg pelas colheitas, criaram um cenário onde a relação Ca:Mg está severamente desequilibrada em grande parte das lavouras — mesmo naquelas com pH aparentemente corrigido.

Por que o Cerrado é Naturalmente Deficiente em Magnésio

Os solos de cerrado — Latossolos e Argissolos predominantes — são derivados de rochas ácidas com baixo teor natural de Mg. O processo intenso de intemperismo tropical ao longo de milhões de anos esgotou as reservas de minerais primários que sustentam a reposição natural de Mg. O resultado é um solo com:

O Problema da Calagem com Calcário Calcítico

O modelo de correção de acidez adotado no cerrado nas últimas décadas priorizou o calcário calcítico (rico em Ca, pobre em Mg) para elevar o pH rapidamente. Isso gerou um efeito colateral: a relação Ca:Mg foi progressivamente desequilibrada, chegando em muitas lavouras a valores acima de 8:1 ou 10:1.

O problema vai além da simples falta de Mg no solo. Em relações Ca:Mg muito elevadas, ocorre competição iônica pelos sítios de absorção nas raízes: o excesso de Ca²⁺ inibe ativamente a absorção de Mg²⁺, mesmo quando os teores absolutos de Mg no solo parecem adequados na análise. A planta fica em deficiência funcional de Mg — não por falta do nutriente, mas por antagonismo com o Ca.

Como Identificar a Deficiência de Magnésio

Sintomas visuais

O Mg é um nutriente móvel na planta — em caso de deficiência, ele é remobilizado das folhas mais velhas para as mais jovens. Os sintomas aparecem primeiro nas folhas do terço inferior:

Indicadores na análise de solo

ParâmetroSituação de riscoSituação crítica
Mg (cmolc/dm³)0,4 – 0,8< 0,4
Relação Ca:Mg3:1 – 5:1> 5:1
Saturação de Mg na CTC8 – 15%< 8%

Por que o Silicato de Magnésio é a Solução Mais Eficiente

Existem várias fontes de Mg disponíveis no mercado. O silicato de magnésio natural (dunito e serpentinito) se destaca por três razões:

1. Maior concentração de MgO

Com 30% de MgO, o silicato de magnésio da Agrominas fornece 2,5 a 5 vezes mais Mg por tonelada do que o calcário dolomítico (6–12% MgO). Para corrigir uma deficiência severa (elevar Mg de 0,2 para 1,0 cmolc/dm³ em 1 ha), são necessárias significativamente menos toneladas de produto.

2. Não adiciona Ca — corrige a relação Ca:Mg

O silicato de magnésio fornece Mg sem adicionar Ca. Isso é fundamental em solos de cerrado com relação Ca:Mg desequilibrada: ao aplicar o silicato, repõe-se seletivamente o Mg, normalizando a relação sem agravar o excesso de Ca já existente. O calcário dolomítico, ao contrário, adiciona Ca e Mg na mesma proporção — perpetuando o desequilíbrio.

3. Efeito residual de 2 a 4 safras

A liberação gradual via intemperismo garante fornecimento contínuo de Mg ao longo de múltiplos ciclos. Uma única aplicação de dunito ou serpentinito pode cobrir 2 a 4 safras — reduzindo significativamente o custo e a frequência de aplicação.

Protocolo Recomendado para Correção em Cerrado

  1. Realizar análise de solo completa — pH, Ca, Mg, K, CTC, V%
  2. Se pH < 5,5: aplicar calcário calcítico para corrigir acidez sem adicionar mais Ca
  3. Aplicar silicato de magnésio para repor Mg e corrigir a relação Ca:Mg
  4. Doses orientativas: soja 0,5–1,0 t/ha; cana 2,0–2,5 t/ha; café 1,0–1,5 t/ha bienal
  5. Reavaliar análise de solo após 2 ciclos de cultivo

Referências: 5ª Aproximação MG (CFSEMG, 1999); Korndörfer et al. (2004); CMAG Fertilizantes (2018); GPSi/UFU.

Agrominas Fertilizantes — fornecedor brasileiro de dunito e serpentinito agrícola com jazida própria em Pratápolis, Minas Gerais.
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